A sala fria com em media cem pessoas agitadas, cada uma com seu pensamento. Tinha dinheiro, sucesso, medo, angústia, raiva, confiança, felicidade e na minha cadeira tinha um pensamento particular: você!
Meu celular deu o alerta de mensagem e era você: - “Ei, olhe para trás”. Meu Deus! Um simples “olhar para trás” demorou anos na minha vida exagerada, e… CARAMBA, ACHEI!
Dentro de mim teve uma mistura de gelo, náusea, queimação e por um instante pensei que fosse vomitar, mas, você sentou do meu lado, me beijou o rosto e eu então tremi, e me senti corar. Era assim, em exatamente todas as vezes que nos víamos, era como se fosse à primeira vez, o primeiro beijo, o primeiro abraço. Ah! O abraço! A sensação era sufocantemente perturbadora, não dava para respirar quando a gente se soltava. Parecia que tinha um vazio dentro do peito. Aí eu sempre voltava e abraçava de novo para me sentir segura outra vez, era quente.
Até que um dia a náusea, e queimação deram lugar a uma falta de ar ruim, e uma dor aguda. Era estranho, era como se eu fosse enfartar. Na minha vida exagerada era como se eu fosse morrer.
“Eu queria manter cada corte em carne viva, e a minha dor em eterna exposição… só para te enlouquecer até você me pedir perdão.” Assim era por dentro, e por fora, um sorriso que julgado por quem o assistia “o mais feliz de todos”.
Meu celular deu o alerta de mensagem e era você: - “Ei, quanto tempo. Podemos nos ver?” Sim. Claro. Óbvio. Ótimo! A mistura de sentimentos tinha voltado: o gelo, a náusea, a queimação, e mesmo sem sua presença me senti corar. E não é que você apareceu, era você mesmo na mensagem. Você queria me ver, eu queria te ver, eu queria te sentir, eu não te ouvia, eu só lia os seus olhos, e seus lábios se movimentavam de uma forma hipnotizante.
Quando dei por mim estava deitada em seu peito ouvindo seu coração dizer: - “Olha você aqui de novo” . E o meu dizia: - “Eu não estou preparado para isso”.
O céu e o relógio entraram então em ação, e era hora de ir embora. Embora. De novo. Por que você não ficou onde estava? Ao invés de vontade de chamego de despedida tinha raiva de egoísmo, você é egoísta, e não pensa no quanto me machuca. E eu? Não penso o quanto me machuco aceitando você me machucar.
Agora arde, como quando você tira a “casquinha” do machucado que fez na bicicleta. Arde e não quer parar.
ps: parou.

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